A médica, epidemiologista, médica e pesquisadora, Maria de Fátima Pessoa Militão de Albuquerque, apresentou uma pesquisa durante o webnário “O trabalho em enfermagem no contexto da crise”, que ocorreu nesta quarta-feira (19/05). Funcionária da Fundação Oswaldo Cruz, apresentou dados de um levantamento sobre a avaliação dos riscos e saúde mental de profissionais que cuidam de pacientes com o coronavírus.

A penúltima mesa, com o tema: “O sofrimento no trabalho em tempos de Covid-19”, foi coordenada pelo Técnico de Enfermagem e Técnico de Segurança do Trabalho e fiscal da Vigilância Sanitária de Olinda há 29 anos e mestre em Segurança do Trabalho, Admilson Ramos.

Segundo Fátima, que coordenou a pesquisa em Pernambuco, o motivo do trabalho foi devido ao registro do primeiro caso de um profissional de saúde infectado, que ocorreu na cidade do Recife, no dia 12 de março de 2020. “Durante esse período, li nos noticiários que na China, em Wuhan, tinha vários profissionais que estavam se infectando e morrendo. Pensamos em fazer um levantamento e verificar a situação dos trabalhadores do Estado”, contou.

“O objetivo foi conhecer as consequências na saúde dos Técnicos de Enfermagem, Médicos, Enfermeiros e Fisioterapeutas durante a pandemia, analisando os fatores associados à infecção e à saúde mental”, explicou. Atualmente, a pesquisa encontra-se em fase de monitoramento.

A pesquisa foi viabilizada por meio de aplicativo de celular e iniciou no dia 13 de abril do ano passado. O mesmo trabalho também foi solicitado em outras localidades: Belém, Fortaleza, São Paulo e Porto Alegre.

RESULTADOS PRELIMINARES – Fátima Militão divulgou alguns resultados preliminares. Dos 1500 trabalhadores entrevistados, 250 foram Técnicos de Enfermagem. Dessa categoria, a idade média é de 39 anos.

As comorbidades entre os Técnicos de Enfermagem foi de 30 % com hipertensão e obesidade (maior comparado aos médicos, enfermeiros e fisioterapeuta). O hospital público concentrou o maio número de profissionais, distribuídos nos setores de emergência e UTI.

Foi constatada que nenhuma categoria utilizou EPIs em 100%, recomendados pelos órgãos sanitários. Em relação ao acidente por material lógico de Covid-19, cerca de 10% relatam a ocorrência de acidentes, por meio de secreção na mucosa dos olhos, ou perfuração com instrumento contaminado.

Os entrevistados elencaram os maiores riscos por contaminação: procedimento direto com paciente cm Covid-19 (220), reutilização de mascaras n95 (122), compartilhamento alojamento de repouso com colega durante um plantão (117), uso de EPI de má qualidade (81) e trabalhou com colegas com sintomas de covid019 (52).

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