Depois de 12 horas, o protesto organizado pelo Sindicato dos Auxiliares Técnicos de Enfermagem de Pernambuco (Satenpe) com servidores das unidades de saúde estaduais foi encerrado, liberando as vias da Avenida Agamenon Magalhães. Os profissionais foram retirados do local após confronto com o Batalhão de Choque, por volta das 20h. O presidente do sindicato foi detido e levado para a Central de Flagrantes. O grupo chegou à via por volta das 8h30 e instalou barracas de acampamento no local. O trânsito ficou comprometido ao longo de todo o dia, no Recife, em função da paralisação.
A mobilização articulada pelo Satenpe marcou o 14º dia de greve da categoria e perdurou até as 20h14. Os organizadores prometeram acampar e ficar 24 horas na avenida, principal via de deslocamento. O presidente do Satenpe, Francis Hebert, chegou a prometer bloqueio até encerrada a negociação com o governo. “Vamos acampar aqui por 24 horas, até que o governo nos dê pontos positivos de nossa pauta, ou venha com trator e polícia nos tirar à força”, comentou, pela manhã.
O desembargador do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) Evandro Magalhães Melo determinou, na noite desta quarta, o retorno imediato ao trabalho dos servidores da saúde em greve desde 30 de janeiro. A decisão, dirigida ao Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Pernambuco (Seepe) e ao Satenpe, também proibiu o bloqueio de via pública, como a Avenida Agamenon Magalhães.
Em nota, a Procuradoria Geral do Estado de Pernambuco informou que a liminar atendeu a pedido apresentado pela PGE-PE e que em caso de descumprimento da determinação judicial, os sindicatos serão multados em R$ 30 mil por dia.
A decisão contou com o apoio da Polícia Militar. No fim da noite desta quarta, o Batalhão de Choque cumprindo ordens da Justiça ameaçou retirar os servidores, que estavam com barracas de acampamento na Agamenon Magalhães, entre a Praça do Derby e o Parque Amorim. A polícia deu três minutos para que todos saíssem, sob pena de uso da força. Os manifestantes foram para a calçada do Hospital da Restauração (HR) e evitaram confronto, justificando que 95% deles eram mulheres.
Entretanto, regressaram e fecharam a via local, em frente ao hospital. O Batalhão Choque chegou a lançar bombas contra os manifestantes. Nesse momento, o presidente do sindicato foi detido. O filho dele, Vitor Hebert, foi agredido por cinco policiais. “Eu estava abraçando meu pai e apaguei porque fecharam a minha glote”, disse Vitor. No meio da confusão, uma mulher que andava pela calçada passou mal e precisou ser socorrida para o HR.
A categoria diz tentar negociar há seis meses com o governo. Eles tem uma pauta de reivindicação que inclui melhorias salariais e outros direitos. Os trabalhadores, oriundos de vários hospitais estaduais, reivindicam reposição dos salários baseada nos últimos 10 anos de inflação, isonomia salarial, adicional noturno, insalubridade, quinquênio e atualização do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV). No fim da tarde, uma comissão dos trabalhadores foi recebida por representantes da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) e da Secretaria de Administração (SAD) de Pernambuco. Os pontos da pauta ficaram de ser discutidos novamente no segundo semestre. Nesta quinta-feira (13), a categoria voltará a se reunir no estacionamento do HR, por volta das 7h, para definir os próximos passos do movimento.
Trânsito
O protesto dos profissionais de saúde do governo de Pernambuco travou o trânsito no sentido Olinda/Boa Viagem, no início da manhã. A Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) chegou a detectar pelas câmeras de monitoramento do órgão uma retenção que começava em frente ao Hospital da Restauração (HR), no Derby, e ultrapassava o viaduto sob a Avenida João de Barros, no Espinheiro. O tráfego foi desviado da avenida para a Rua João Fernandes Vieira, para tentar diminuir o transtorno. Uma equipe de 36 agentes e orientadores de trânsito foi enviada até o local, para auxiliar os motoristas e motociclistas.
“Saímos da Rua da Hora. Desde a manhã, tava tudo parado. Evitamos sair antes das 20h, porque o dia todo ficou assim parado na Zona Norte. Largamos às 6h40 do trabalho e ficamos esperando liberar. Quando vimos que parecia que os carros estavam andando, saímos do trabalho e pegamos a Agamenon. Infelizmente, bem na hora do embate entre policiais e manifestantes”, afirmou o motorista Lenivaldo Ferreira, 42 anos.
Além da paralisação dos profissionais de saúde na Agamenon, a mobilidade da capital também ficou comprometida em função de um incêndio que ocorreu na antiga fábrica da Pilar, no Bairro do Recife. De acordo com a CTTU, o deslocamento do Corpo de Bombeiros e a articulação para apagar as chamas levaram à interdição de uma faixa da Avenida Militar. No Hospital da Restauração (HR), o serviço não chegou a ser comprometido. Segundo a assessoria, apenas o setor de Unidade Avançada de Neurologia, que atua com quatro servidores, funcionou com metade do quadro. Os demais setores operaram normalmente. O tráfego de ambulâncias também não foi comprometido, segundo a assessoria do HR e do Samu.
Perfil da Agamenon Magalhães:
7 km de extensão
8 cruzamentos
11 pontilhões
40 semáforos
50 linhas de ônibus
546 ônibus
284 mil passageiros por dia
4 mil viagens de ônibus por dia