Salário abaixo do mínimo e greve:Técnicos e auxiliares de enfermagem prometem continuar ações de protesto

Após muitas reuniões sem acordos concretos, os servidores públicos estaduais que
trabalham como auxiliares e técnicos de enfermagem prometem continuar as ações de
protesto. Segundo o presidente do Sindicato dos Auxiliares Técnicos de Enfermagem de
Pernambuco (Satenpe), Francis Herbert, até o fechamento desta edição a categoria ainda
não havia sido notificada pelo Tribunal de Justiça da Pernambuco sobre a ilegalidade da
greve, que já dura 15 dias. Desta vez, no entanto, os profissionais prometeram acampar
na Avenida Beira Rio, em frente à casa do governador Paulo Câmara.

Após muitas reuniões sem acordos concretos, os servidores públicos estaduais que
trabalham como auxiliares e técnicos de enfermagem prometem continuar as ações de
protesto. Segundo o presidente do Sindicato dos Auxiliares Técnicos de Enfermagem de
Pernambuco (Satenpe), Francis Herbert, até o fechamento desta edição a categoria ainda
não havia sido notificada pelo Tribunal de Justiça da Pernambuco sobre a ilegalidade da
greve, que já dura 15 dias. Desta vez, no entanto, os profissionais prometeram acampar
na Avenida Beira Rio, em frente à casa do governador Paulo Câmara.

“Quando formos notificados pela justiça sobre a ilegalidade da greve, vamos contestar
essa decisão. Se não conseguirmos derrubá-la e acabar com o ato de greve. Mas as
ações vão continuar nos dias de folga dos profissionais. Vamos continuar realizando
movimentos em locais públicos do Recife e de outras cidades, sem interditar o trânsito,
e acampar em frente à casa do governador até sermos atendidos por ele. Nenhum
secretário de Paulo Câmara vai atender os pedidos da categoria”, prometeu o presidente
do Satenpe, Francis Herbert.

A pauta dos trabalhadores de vários hospitais estaduais inclui reposição dos salários
baseada nos últimos 10 anos de inflação, pagamento de adicional noturno e de
insalubridade, quinquênio e atualização do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos
(PCCV). Outro pleito da categoria é a isonomia salarial. Segundo o Satenpe e o
Sindicato dos Profissionais da Saúde (SindSaúde), os técnicos e auxiliares de
enfermagem contratados de 2014 para cá recebem um salário no valor de R$ 774. Os
que foram nomeados antes de 2014 recebem um pouco mais que um salário mínimo,
hoje atualizado em R$ 1.039.

No início da manhã desta quinta-feira (13), a categoria se reuniu em assembleia no
estacionamento do Hospital da Restauração (HR), no Derby, e em seguida fizeram um
ato em frente à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). "Nós pretendemos
chamar a atenção dos deputados e buscar apoio ao nosso movimento. Nós estamos
lutando por melhoria nas condições de trabalho, que também significa dar uma
assistência melhor aos pacientes atendidos nos hospitais públicos do estado. Estamos
abertos ao diálogo. O estado que está sendo inflexível”, comenta o vice-presidente do

Satenpe, Gilberto Flávio, que não acredita que o movimento perca força, apesar da
repressão policial ocorrida na noite da última quarta (12).

Neste dia, o sindicato bloqueou, durante doze horas, o sentido Olinda/Boa Viagem da
Avenida Agamenon Magalhães, em frente ao HR. A Procuradoria-Geral do Estado
(PGE) solicitou ao TJPE que declarasse a greve ilegal. Tão logo saiu a decisão, o
governo acionou o Batalhão de Choque da Polícia Militar para encerrar o ato. Foram
disparadas bombas de gás lacrimogêneo, o presidente do sindicato, Francis Hebert, foi
preso, e o filho dele, Vitor Herbert, foi agredido por alguns policiais. Segundo a Polícia
Civil, o homem foi levado para a Central de Flagrantes, em Campo Grande, por
“desobediência”, mas liberado horas depois, após assinar um Termo Circunstanciado de
Ocorrência (TCO).

Ainda nesta quinta (13), o SindSaúde teve uma reunião com representantes da
Secretaria de Administração do estado. O encontro durou mais de quatro horas mas não
houve grandes avanços. “A pauta do SindSaúde inclui a readequação da remuneração
dos profissionais que ganham abaixo do salário mínimo, pagamento do adicional
noturno, revisão do plano de cargos e carreiras e reajuste salarial de 65% para
profissionais de saúde. Vamos discutir com a categoria para saber o que vamos fazer a
partir de agora”, disse a presidente do SindSaúde, Miriam Soares. O SindSaúde
representa os trabalhadores da saúde pública, que inclui os analistas (os cargos de nível
médio) e os assistentes (técnicos e auxiliares de enfermagem, nível médio técnico, e os
auxiliares de limpeza, nível médio).

De acordo com Miriam Soares, muitos dos pontos da pauta da categoria foram direitos
trabalhistas perdidos ao longo dos anos. “O adicional noturno era pago até 2006.
Naquele ano, houve um acordo entre o governo do estado e a gestão do sindicato na
época e nós perdemos vários benefícios legais trabalhistas a que temos direito. Nós só
estamos pedindo que voltem a pagar”, explicou. A presidente do SindSaúde ainda disse
que no último ano os profissionais de saúde tiveram uma conquista, que foi a
implantação das agências de perícia médica nos municípios de Petrolina, Caruaru e
Salgueiro. “Antes, só existia perícia médica no Derby, no Centro do Recife. E os
trabalhadores precisavam sair de seu interior, às vezes com cirurgia aberta, para fazer
uma perícia”, contou.

Em nota, o Governo do estado informou que “as reivindicações dos auxiliares e técnicos
em saúde têm sido intensamente debatidas junto aos representantes da categoria,
visando construir alternativas possíveis na atual situação financeira do Estado”. O
governo disse ainda que os servidores já recebem insalubridade e adicional noturno
incorporados ao vencimento base desde 2006, a pedido da própria categoria. “Sobre os
vencimentos, informa que nenhum profissional recebe abaixo do mínimo, uma vez que
todos possuem gratificações que, somadas ao vencimento base, totalizam valores
superiores. Ainda assim, a revisão dos planos de cargos e as tabelas salariais estão
sendo objeto de discussão das reuniões com a categoria”, afirmou a nota.

Sobre a reunião desta quinta com o SindSaúde, o Governo do Estado informou que “o
encontro faz parte do cronograma de reuniões de mesa específicas de negociação
coletiva permanente, que acontece rotineiramente ao longo do ano. Durante a reunião,
foram tratados assuntos como o plano de cargos e vencimentos, melhoria das condições
de trabalho, ampliação dos serviços de atenção ao servidor, com foco na saúde do
trabalhador, perícias médicas e qualidade de vida do servidor. Outras reuniões técnicas
para encaminhamentos adicionais já estão agendadas”, disse a nota.

https://www.portalpe10.com.br/noticias/35437/salario-abaixo-do-minimo-e-greve-
tecnicos-e-auxiliares-de-enfermagem-prometem-continuar-acoes-de-protesto

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